segunda-feira, 30 de julho de 2012

A cruz do tempo

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Não consigo concentrar-me aqui. Às vezes penso que estou dormindo. Acho que muitas vezes estou.
Hoje li sobre Ouspensky e sua teoria/prática para auto observarmos. Achei bem interessante porque é a ideia central que Osho também traz. Fixando nossa atenção ao agora, podemos fazer com que os pensamentos cessem. Quando isso acontece, podemos aproveitar cada segundo. Isso parece bem clichê. Porém, cada vez que me aprofundo no agora, tenho a sensação que o tempo assume um novo tempo (?); que o mesmo tempo que antes valia alguns minutos podem demorar mais tempo para passar. Teria alguma coisa haver com Teoria da Relatividade de Einstein?
Acho que os grandes pensadores tem algo em comum. Não estou me referindo aos grandes cientistas, aos grandes filósofos ou aos grandes matemáticos. Estou me referindo aos pensadores que puderam e fizeram de alguma forma, com que a humanidade pudesse pensar de outra forma. Einstein foi um deles. Quem poderia pensar que o tempo pode ser relativo? Isso é claro, considerando minha informação bem vaga sobre essa teoria. Não posso pensar em uma interpretação melhor para essa teoria: de que o nosso próprio tempo é relativo. E, se o tempo é relativo, é relativo a quê? É relativo ao próprio sujeito que está sofrendo alterações do tempo, ou seja, todos nós.
Podemos considerar então que temos controle sobre o tempo?
Sim e não. Primeiramente, não temos controle do tempo porque a própria ideia de que podemos controla-lo é estranha a nós. Segundo, todos pareceram ser agentes do mesmo tempo, então todos consideram que existe apenas um tempo, único a todos. A grande relatividade então está em quanto vale um minuto para mim e quanto vale essa mesma quantidade de tempo para você. “Vale” foi a palavra mais adequada que consegui encontrar para esse caso. Por outro lado, quanto mais enchemos o agora com a nossa presença, mais “controle” sobre o tempo temos. Na verdade, não há um controle. O que existe é a inexistência de tempo. Mesmo sabendo que existe o tempo cronológico, ele inexiste. Já senti essa incrível sensação alguns segundos e pretendo sentir mais vezes. É complexo, faltam palavras para defini-la, mas é uma sensação inexplicável, aconselho.
É fácil pensarmos sobre a unicidade do tempo se pensarmos em um relógio. Durmo cerca de sete horas por dia. E consigo descansar muito mais em alguns dias do que em outros. Também consigo me sentir muito mais renovado com vinte minutos, às vezes, do que em uma noite toda de sono.
Tudo isso que falei sobre a relatividade do tempo tem relação direta ao começo do texto. Quando mais me foco no agora, ou seja, quanto mais consciência trago ao momento presente, quanto mais posso me sentir observador de mim mesmo, mais vejo que a consciência pode cada vez mais ser aprofundada, e, que o tempo pode passar - não de uma maneira mais devagar ou mais rápida, porque esses conceitos parecem não explicar corretamente o fenômeno - mas, de forma diferente, vertical. Parece-me que nosso caminho é horizontal quando falamos em tempo, mas, quando falamos em consciência, nosso caminho é vertical. Você está no meio da cruz?