quinta-feira, 31 de março de 2011

Escolha

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- Por que você não disse antes?
- Eu não podia. O momento não era apropriado, e eu não era a pessoa certa pra você.
- Como poderia saber se era a pessoa certa? Era o que eu mais queria na época, te conhecer, te namorar, viver momentos de dois eternos apaixonados.
- Pena que o tempo passou, as coisas mudaram e hoje não podemos mais voltar atrás para recuperar o tempo perdido. – disse ela entrando no convento e deixando mais uma vez o homem que sempre amou voltar para sua vida frustrada.



Dowload da música aqui.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Robóticos

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A música que encabeça esse post, All Is Full Of Love, cantada pela islandesa eclética Björk, diz para olharmos ao nosso redor, pois tudo está cheio de amor. “Você tem que confiar, pois pra você será dado o amor”. Não sei até que ponto Björk está sendo realista ou poética, o fato é que há muito tempo não sinto o amor a minha volta.
No que se baseiam os relacionamentos atuais? E não estou me referindo aos amorosos ainda, apenas relacionamentos em geral. Todo e qualquer tipo de relacionamento é baseado em algo. Muitos são relacionamentos profissionais, que não exigem muito além de um pouco de respeito e responsabilidade. Outros são de amizade mútua. E dizem que esse tipo dá pra se contar nos dedos!
Os familiares são complicados. Sempre é uma relação de amor, de ódio, de tolerância e paciência. Alguns te sufocam, outros te exaltam. Alguns merecem respeito e outros não merecem nem mesmo serem lembrados. Mas o  comum é a mistura de tudo isso.
Os amorosos são protagonistas. Das novelas, das revistas, das conversas despreocupadas e dos desabafos no meio da noite. Ninguém vive sem amor. Até a criatura mais fria precisa e sente algum tipo de sentimento.
Eu disse antes que não sentia o amor a minha volta – e não sinto. Eu vejo o amor de um pai para com seus filhos, vejo namorados se beijando, vejo velhinhos andando de mãos dadas, vejo o brilho nos olhos de uma pessoa admirando a outra. Mas não consigo sentir. Existe uma barreira. Talvez Björk também veja o amor a sua volta, mas não consiga sentir. Talvez na tentativa de sentir, ela tenha feito um clipe tão bonito dessa música, se transformando em robô – um robô que ama.
O exercício de imaginar seres humanos como robôs não é tão absurdo assim. A rotina é fatigante, os problemas são tantos, o mundo capitalista é tão cruel e parece que nos obriga a querer sempre mais. Querer mais dinheiro, mais riqueza, mais status, mais glamour. Querer sempre alguma coisa material. Criar um foco, e conseguir conquistá-lo.
O problema de tanta ambição é que geralmente falhamos. Criamos um objetivo e não conseguimos alcançá-lo. E, quando alcançamos esse objetivo, ainda estamos vazios, e outro objetivo tem-se que ser criado para então sermos felizes. Doce ilusão. Cria-se um robô de si mesmo. Um robô ambicioso. E esse robô entra em um círculo vicioso de busca de felicidade. Felicidade essa que nunca chega, criando frustração e tédio.
Não existe nenhum problema em querer mais. Querer mais é saudável e nos força a autosuperação. O que realmente cria a frustração é querer as coisas erradas, de tal forma que nunca poderemos parar para aproveitar aquilo que já conseguimos.
E o círculo vicioso não é necessariamente material. Posso estar buscando um amor e sempre encontrar amores errados. E então outro amor “tem que” vir no lugar do antigo em substituição daquele. Posso estar viciado em um relacionamento afundado, e não ter coragem para dar espaço que ele se vá, e ainda assim acreditar que esse amor tem algum valor.
Se sabemos que somos robôs que sentimos, ou seres humanos que estamos um pouco congelados, já é meio caminho andado para mudarmos essa situação, fazendo com que o gelo do coração se derreta com afeto. E que a forma robotizada vá se transformando em uma forma mais arredondada, digna dos seres humanos. O poder de mudar está dentro de cada um, em permitir-se sentir. Já estou me permitindo sentir, e você?

domingo, 20 de março de 2011

Sr. Sem Fala

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Onde estou? Perguntava-me incessantemente. Eu sabia exatamente onde estava, com quem estava, mas era uma pergunta mais ampla do que saber minha localização no mapa. O que eu estava fazendo ali? Talvez fosse a falta de álcool que estava fazendo com que eu visse aquilo de uma outra forma, com mais clareza talvez.
E não tinha nada para se fazer lá. Apenas esperar o tempo passar, e fingir que a festa estava ótima. Não estava nem um pouco boa, eu estava lá como se fosse uma ironia do destino. Já tinha prometido pra mim mesmo que daria um bom tempo desses lugares, e lá estava eu, com o sorriso mais falso do mundo tentando dançar músicas horríveis.
Além disso, era uma exposição de bizarrices. Beeshas ridículas usando roupas escandalosas, caras totalmente sem noção mostrando um corpo mais ou menos, infantilidade, drogas, e os mesmos rostos de sempre. De tudo isso já estava enjoado.
E então, ele chegou. O Sem Fala. E de todos os que estavam ali, nenhum chegava aos pés dele. Vestido discretamente de preto e calça jeans, passou por mim com outro amigo, como se fosse o rei da festa. E eu adoro ostentação de quem pode. Ele teve o poder de fazer meu corpo amolecer, meu coração bater em descompasso e me deixar muito, muito triste. Pois aparentemente estava acompanhado, e teria que agüentar mais algum tempo com aquela frustração.
Nunca forcei a barra com o Sem Fala. Quando nós ficamos, foi maravilhoso, espontâneo e louco ao mesmo tempo, ainda que no começo achasse ele meio pegajoso – no começo. Eu detesto gente pegajosa, gente que não te deixa respirar, gente que corre atrás. Eu simplesmente abuso de quem é assim, e largo quando não me convém. Mas com o Sem Fala foi diferente. Curtimos um ao outro, e sumimos. Falávamos por sms de vez em quando, mas nada concreto, apenas algo que talvez dessem certo – ou não.
Ele lá em Capão, e eu aqui em Tramandaí. Ele nunca mudou uma vírgula da vida dele por minha causa. Procurava-me quando era o momento, e eu também. Dizia palavras bonitas, e eu não acreditava. Porque não é muito fácil acreditar em palavras bonitas hoje em dia.
E lá estava ele, na festa, longe de mim, se divertindo muito. Eu estava tão triste, que não consegui simular outro sentimento. Geralmente consigo disfarçar o sentimento que quero. Posso estar feliz e parecer triste, estar triste e ser a pessoa mais contente do mundo, posso detestar alguém e me passar por melhor amigo, mas mesmo esse dom com que a natureza me presenteou não estava funcionando naquela situação. Não consegui colocar meu melhor sorriso para fingir que estava contente.
Peguei meu celular, eu precisava desabafar aquilo com alguém. Gritei por Lee Stardãr, e redigi a mensagem: “e o Sem Fala é o cara mais interessante da festa. Sabe aquela coisa boa de sentir o corpo amolecer? Pois é. Senti isso quando o vi hoje. Isso acontece porque eu nunca consegui controlá-lo. Insensato coração!”.
E como eu não podia deixar de provocar/demonstrar para ele o quanto ele mexe comigo, mandei uma cópia da mensagem pra ele também. Ou seja, os dados estavam sendo lançados. Podia fingir que tinha mandado pro contato errado. Mas eu nunca faço nada que não tenha algum motivo. Sou oportunista e no jogo da sedução às vezes tem-se que ceder. Os dados foram lançados. Era uma questão de tempo, pensei.
E por algum tempo tudo continuava igual, música ruim, gente ridícula na minha volta, e eu naquele galpão parecendo uma estátua.
Foi quando ele passou propositalmente por mim. Parou e cobrou-me por não ter cumprimentado ele – sempre usava essa tática. Eu expliquei que era porque a gente nem tinha chegado perto ainda, e que ele estava muito ocupado se divertindo. Perguntei o mesmo pra ele, e a resposta foi igual a minha. Sim. Falando no ouvido me despertou uma vontade enorme de empurrar ele para a parede e começar a beijar. Trocamos algumas palavras. Ele mexeu no celular, fingiu que alguém ligando, pra me dar certeza de que tinha lido a mensagem. Eu desconversei e dei a desculpa de que iria ao banheiro – corri dali. Não estava preparado para tanta informação assim.
Fiquei por ali dançando com alguns amigos e quando vi já estava sozinho novamente. Gente inquieta! E ele chega por trás, perguntando se eu já tinha encontrado alguma coisa ali. O que? Perguntei. E ele me questionava o que eu estava fazendo ali. Eu estava ali por um acaso, um milagre talvez. E não tinha encontrado nada, a não ser um cara que vê o mundo de uma forma muito parecida da minha, e que assim como eu não se apega a qualquer um. O beijo aconteceu, por uns minutos. Ele disse “bom, vou indo”. Eu segurei o braço dele, levei-o prum canto qualquer da parede e fiz o que eu queria ter feito desde o primeiro momento. Beijei muita aquela boca que já foi de muitos, alisei muito aquele corpo que um dia já experimentei, e abraçando-o carinhosamente desejei com todas as minhas forças que um dia ele encontre alguém que lhe faça feliz, já que não foi dessa forma que aconteceu conosco.
"Nós vamos nos encontrar de novo" ele disse, depois do último beijo. "Volta lá e arrasa" eu disse. Fui embora, não podia perder minha carona. Feliz e triste ao mesmo tempo, mas muito, muito aliviado, pois sei que o Sem Fala vai embora fazer o mundo girar, e de pessoas assim que o mundo precisa. Parabéns, você conquistou um lugar de destaque, Sr. Sem Fala!

quinta-feira, 17 de março de 2011

Meu cachorro preferido

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A língua do povo conta que na Avenida da Igreja, famosa avenida da cidade, existe uma pessoa que vive dos restos de alimento dos outros, um ser desgraçado pela vida, esquecido pela natureza e perdido de si mesmo.

Charles acordou cedo, mesmo sem entender. Não era compreensível que depois de muitas doses de uísque, coquetéis refinados, muita música, comida da melhor qualidade e outros excessos que seu organismo já estaria descansado. Isso não era comum.
Aproveitou a disposição, desligou o ar condicionado que havia deixado o quarto muito abafado, aumentou o volume do seu rádio. Correu para a cozinha cantarolando a música que estava tocando. Colocou o café pra passar. Olhou na porta da geladeira o calendário grudado – ainda faltavam alguns dias para a empregada retornar das férias, e isso significava que ele teria que fazer uma coisa que detestava: limpar a geladeira!
Cantarolando e tomando café, foi adiantando seu penoso serviço. Tirou duas sacolas cheias de comida. Não estavam velhas nem estragadas. Apenas eram de dias antes, algo que poderia ser reaproveitado, mas Charles não era do tipo que comia nada repetido.

Frederico já estava começando a sentir suas mãos. A noite havia sido muito fria e chuvosa. O fino pano que usava para se cobrir estava encharcado por causa do vento que levava respingos de chuva.
Sentado entre galhos, Frederico pode reconhecer o barulho. O ruído lhe era muito familiar – o carro importado que semanalmente lhe levava gostosuras. Mal podia esperar a sacola ser lançada pelo motorista do carro, e caso tivesse sorte, aquela pessoa abençoada jogaria mais que uma sacola, o que dava a ele vários dias de comida garantidos.

Logo que desceu do carro, Charles foi surpreendido por um forte abraço de seu filho mais novo, que lhe disse:
- Pai, onde tu estavas? Pensei que não fosse me levar pra escola, já ia te ligar...
- Bom dia filhão. – disse Charles - Não te preocupa, só fui alimentar meu cachorro preferido.

domingo, 13 de março de 2011

A roleta

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E a roleta do prazer foi impulsionada por ele. Não, ele não tinha esse hábito de freqüentar motéis. Muito menos com mais dois homens e duas mulheres. Aquilo tudo tinha sido tramado pelos outros, e ele caiu na grande armadilha. Armadilha da loucura da juventude, da inconseqüência do álcool.
E a roleta rosa o mandava tirar a calcinha dela. Ele não tinha experiência nenhuma com isso. Ele sente atração por homens, e aquilo estava sendo uma afronta, uma pegadinha. Como poderia rejeitar; como poderia fugir daquela situação? Os outros não sabiam e não podiam saber da sua atração por homens, de toda sua história traumática da infância, de como era difícil viver escondendo uma coisa tão forte e tão importante como essas.
Mas a roleta mandava na noite. E ele sentiu aliviado por ter que tirar a calcinha dela. Sexo oral seria pior, ele agradeceu aos deuses. Enquanto já via flashs e ouvia ruídos dos três ao lado, fingiu que tinha algo pra pegar no banheiro – tentando incessantemente ficar excitado. Seria vergonhoso ter que mostrar sua virilidade e não conseguir.
Voltando do banheiro, viu ela toda nua, esperando por ser penetrada. Sinceramente, em nenhum momento da sua vida desejara aquilo. A cena que conseguiu entusiasmar seu membro foi ver os outros dois homens revezando a penetração na outra mulher. Sentiu inveja daquela, e, criando toda uma fantasia em sua mente, fechou os olhos, tomou coragem e colocou delicadamente seu membro dentro da cavidade quente dela. Foi uma questão de minutos. As cenas em sua mente estavam muito picantes. E a noite não pedia dar prazer para a mulher, e sim, fazer de conta que estava gostando daquilo.
Não satisfeita, aquela mulher, dona da roleta, montou em outro homem que estava disponível, e depois, mandou o outro homem comer ela de quatro. Não podia deixar de experimentar todos os corpos.
Ele não sabia se tinha feito certo, ou errado, simplesmente fez o que deveria ser feito. É um trabalho sujo, mas alguém teve que fazê-lo.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Striperella

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Relendo emails antigos. Pude dar vida a lembranças esquecidas, trouxe a tona sentimentos que há tempos não sentia. Indignação com uma instituição privada, verdadeira guerra virtual. Ansiedade por ter pagado um boleto e meu pedido não ter sido liberado, e certo sentimento de desprezo por aqueles emails-correntes, com mensagens em power point. Mas o melhor de tudo foi relembrar que um dia, muito esporadicamente, eu e minha amiga Striperella trocávamos mensagens. Às vezes eu puxava papo, às vezes ela. Sempre falávamos sobre algo profundo, importante. Profano e espiritual ao mesmo tempo. Hoje olho pra trás e vejo que o algo profundo e importante de antes parece ridículo hoje, kkk. Mesmo parecendo ridículo hoje, ainda quero continuar mantendo esse tipo de contato, pra algum dia, eu olhar pra trás e sentir vergonha do que conversávamos hoje. É um bom exercício.
Striperella, uma figuraça. Algum dia vai ganhar uma homenagem tendo sua forma excêntrica e desforme pintada em uma carta de baralho. Ou melhor, um baralho todo confeccionado com suas idéias que impressionam o mundo. Sabe viver a vida intelectualmente, esse é seu grande forte. Tem o pensamento rápido e a imaginação forte, e uma dinâmica intrapessoal que talvez nunca tenha visto em alguém antes. Às vezes acho que ela vive em outro mundo. Em um mundo que praticamente é do jeito que ela quer que seja. Striperella não se convence de que sua ilusão é uma ilusão. Striperella faz com que essa ilusão seja transformada em realidade, em uma realidade tão real que pode parecer estranha para os que são fracos da cabeça. E eu sempre me esquivando de algum convite social que ela me faz.
Não me esquivo de convites dela por que não gosto dela, muito pelo contrário. Acho que não me sinto seguro de entrar no seu mundo, e não ter mais vontade de sair. Beijo carinhoso, Striperella.

Esgrima de língua

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Alguma força misteriosa da natureza me fez lembrar de uma frase de um amigo meu do Facebook. Ele perguntava o porquê que em toda conversa entre gays, em salas de bate-papo, ou em baladas – o lugar não importa – sempre acaba surgindo a pergunta/dúvida: passivo ou ativo?
Sim, acho esse questionamento importante, e não concordo de perguntar uma coisa dessas pelo Facebook. Não. Héteros não são obrigados a saber nada referente à vida sexual dos gays, a não ser que assim queiram. E, bees do meu coração, o Facebook, assim como todo site de relacionamento não específico, existem héteros.
Agora você deve estar se perguntando “como assim? Eu também não sou obrigado a ver um homem e uma mulher praticamente se engolindo na rua!”. Palmas para a indignação, mas vivemos em minoria. Não se esconda, mas não se exubere demais.
Depois de certa polêmica e descontentamento de alguns, alguém levou na brincadeira e retrucou “é muito importante sim, imagina, dois passivos na cama, acontece qualquer magia sexual!” e outro “ou é guerra de espada ou encosta-bunda”, aumentando assim a indignação (e a infantilidade) desse corajoso ser.
Mas não era aí onde eu queria chegar. A mente trabalha por substituições e associações, e a tal “guerra de espada” me fez lembrar de uma música muito boa, que eu escutava há muito tempo, na voz de Cássia Eller:

“O meu amor partiu
Cansou dos meus vícios
E mesmo que amanhã ele volte com outro feitiço
Hoje, o meu amor partiu
E nada vai
Nada vai mudar isso

Nada vai mudar na cama grudada em mim
Nem meu rosto inchado de mágoa
O sol se escondeu lá fora
Atras de uma nuvem de água

Nas paredes nossa história
E no teto a minha tela de cinema
E nela ainda vejo nosso esgrima de língua (não esgrima de paus, esgrima de língua! kkk)
Os nossos raios, Nossa antena.

Meu amor se expulsou de mim
cansou dos meus vícios
E mesmo que amanhã ele volte
Com outro feitiço
Hoje, meu amor partiu
E nada vai
Nada vai mudar isso

Meu amor se expulsou de mim
Hoje, meu amor partiu”


Esse misto de melancolia, dor de cotovelo e sexo intenso, chama-se Nada Vai Mudar Isso, muito semelhante a posição sexual de um gay. Passivo é passivo, ativo é ativo, e os versáteis? Bom...continuaremos esse papo!

quarta-feira, 9 de março de 2011

Adiós carnaval!

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E o fechamento do carnaval não foi bom. Não fui pra lugar nenhum, resolvi ficar em casa descansando. Estranho, a partir das 23 horas comecei a sentir um aperto no peito, algo que eu não me lembro de ter sentido antes. Era quase como se eu tivesse no saguão de um hospital esperando a má notícia. Mais estranho ainda era a necessidade de conversar com alguém.
E, de todas os contatos que eu tinha no meu celular/msn, era justamente com o amigo que havia me trazido pra casa que eu “tinha que” falar. E então liguei. Desligado. E liguei mais umas duas vezes e nada. Ele trabalhava até meia noite, então havia desligado o telefone.
Passa-se uma hora, e ele me liga. Melhor, pensei.
Conversamos uns vinte minutos, ele estava indo pegar o ônibus, nos despedimos. Dois segundos depois ele liga de novo. E é aí que meu pavor começa:
- Hey, a gente não quer te fazer mal (voz masculina que não era do meu amigo).
- A gente saiu do presídio faz quatro dias, só queremos dinheiro. (outra voz masculina)
- Ta bom, vou ver aqui, calma. (voz do meu amigo)
- Meu, meu, não faz assim com ele, deixa que ele pega meu, não te mete.
(Silêncio)
Ouço passos, mas não escuto voz nenhuma. É claro, meu amigo me ligou de volta por precaução, já prevendo o que ia acontecer.
E eu começo a ficar com medo, porque não ouço a voz dele. O que aconteceu? Ele ta bem? Passam várias cenas pela minha cabeça, eu não tinha idéia do que fazer. Não podia ir até onde ele estava, era longe e eu não tenho nem carro nem moto. Imediatamente vou pro quarto da minha mãe:
-Mãe, o Costa foi assaltado!
Explico rapidamente pra ela, e a gente entra num consenso de ligar para o meu pai, que não mora com a gente, ir lá ver se tudo estava bem. Antes mesmo que eu comece a procurar o número do meu pai, o Costa me liga.
- Tu ta bem? Onde tu ta? – falei.
- Tá tudo bem, to indo pro final da linha do ônibus pra ir pra casa, só pegaram vinte reais.
- Ta tudo bem mesmo? Quer que alguém vá aí te pegar? Quer dormir aqui?
Aí minha mãe pega o telefone e confirma tudo isso de novo, e pede que ele ligue quando pegar o ônibus e quando chegar em casa.
Quando ele já tinha chego em casa, ele liga e me pergunta:
-Como tu ouviu? A gente já tinha desligado.
-Não, tu me ligou de novo! Desligamos mas logo depois me retornou.
-Não, eu só botei o celular no bolso, e eles chegaram logo depois.
Aperto no peito e celulares que ligam sozinho em horas de emergência. Obrigado por existir, Deus.

terça-feira, 8 de março de 2011

Badflogin

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Vou contar umas das experiências mais “extremas” que já fiz na vida. Claro, para muitos isso é baboseira. Não curto isso de drogas. Mesmo sendo jovem, e sabendo que talvez eu me arrependa no futuro de alguma coisa que não fiz, prefiro me manter distante disso. Afinal, a efervescia da juventude não é eterna e é justamente o momento que devemos nos preservar para o futuro próximo.
Segunda de carnaval. Semanas antes tinha encontrado um amigo de Porto Alegre, e ele me falou algumas das muitas das suas experiência da juventude, inclusive com o Benflogin (eu já havia usado uma vez; ele, muitas). Adorei ficar ali escutando tudo o que meu amigo tinha pra me falar, afinal temos nove anos de diferença. Algumas coisas mudaram bastante, mas principalmente no meio gay, não observei nenhuma diferença. Não citei o tal “meio gay” pra se referir que todo gay usa drogas. Absolutamente, mas já vou explicar.
Desde meu encontro com o amigo de POA, ficou martelando na cabeça a idéia fixa de me superdosar de novo. Fazia uns três anos que não usava nada parecido com drogas. Minha primeira e única vez foi com o medicamento pra dor de garganta, o Ben.
Surgiu o dia, surgiu a ocasião. E como a ocasião que faz o ladrão, doze comprimidinhos com algumas Skol garganta a baixo e já estava ansioso e receoso para ir a uma festa GLS aqui da cidade. Como nunca tinha estado em lugares públicos naquela “vibe” deixei aviso e distribuí tarefas para três amigos meus. Um seria responsável por não me deixar beber bebidas alcoólicas lá dentro, o que fatalmente falhou. Bebi muito, mas como o efeito do Ben demora pra vir, pra mim tava normal, sempre bebo em festas mesmo. Outro ficou responsável por guardar minha moral, não deixar eu descontrolado e me vigiando pra eu não fazer algo que me autogongue, esse teve mais sucesso. Mas só bastou ele sair de perto de mim pra eu dançar feito um liquidificador quebrado, perder o equilíbrio, girar meia pista em passos combaleantes e me chocar em outro cara que, acredito eu, agora deva me considerar o ser mais insignificante do mundo. O terceiro tinha como missão me levar pra festa, e me trazer até em casa em segurança. Infelizmente por motivos familiares não pode comparecer (será, em plena segunda-feira de carnaval?).
Lá dentro estava bom, me senti à vontade. Boate lotada, não estava calor, dançava-se confortavelmente (se não tivesse alguém se chocando contigo, hehe) e pessoas de todos os tipos, o que é muito bom. As travas batendo cabelo num canto, povo mais jovem dançando na pista, as Irenes se agilizando estrategicamente em algum lugar onde possam ver a movimentação do darkroom, bebida, música e fumaça de cigarro. Tudo que minha mãe sempre sonhou pra mim. Resumindo, beijei três. Nenhum me despertou algo que me chamasse mais a atenção. Nem por beleza, nem por glamour nem por dinheiro.
Dando um goodbye no post, finalizo dizendo que nunca mais usarei o tal do Ben, que no meu caso, pela ressaca no dia posterior (hoje, 08/032011) foi uma Bad. Até o próximo post.