domingo, 27 de novembro de 2011

Sobre Ritas!

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Rita me pareceu uma incógnita. Estranhamente incógnitas não são comuns pra mim. Costumo dizer que “sinto” as pessoas. Tenho facilidade pra sentir o que as pessoas querem; em perceber o jeito como encaram determinadas coisas e até se são “flor que se cheira”, como dizem os antigos.
Trato tudo que é natural, naturalmente. Isso é natural pra mim. Não consigo evitar essa sensação de saber das pessoas sem ao menos ter conversado. Acontece mais ou menos assim: bato o olho e já crio o perfil. Esse é desonesto, deve roubar da própria mãe. Esse tem grande capacidade, só precisa de força de vontade; essa não vai ser muito feliz no amor, mas o sucesso profissional é uma certeza; aquela outra não sabe o valor das coisas que tem. E por aí vai, uma variedade de perfis são criados quase que instantaneamente. E, sempre que precisei seguir minha intuição, nunca me decepcionei.
Mas a Rita tinha uma muralha invisível em volta dela que não permitia que eu a desvendasse. E, ainda mais curioso, parecia conhecer essas minha intuições! Olhou-me nos olhos como se quisesse dizer “eu sei do que tu és capaz, mas não comigo”. 
O nome Rita me lembrou do filme Nove Rainhas. No filme, um personagem principal tentava lembrar exaustivamente a letra de uma música de Rita Pavone, Il ballo del mattone. 
Parafraseando a letra da música, “com algumas pessoas danço twist; com outras danço rock; e com outras definitivamente não acerto o pé!” Que tipo de música dançaria com Rita se não consigo desvendá-la?
Não dançaria nenhuma. A minha habilidade de intuir sobre pessoas e a habilidade dela em saber quem intui sobre ela deve ser a mesma habilidade usada de forma diferente. Não dançaria nenhuma música! Pois devemos ser muito parecidos para podermos diferenciar quem é um e quem o outro. E as danças mais bonitas são aquelas que são dançadas por duas pessoas, de formas diferentes de tal forma que se percebam as individualidades e que se possa comtemplar a harmonia e a (des) sincronia delas. Estou chegando à conclusão que o modo que as pessoas dançam é muito mais importante do que as pessoas em si. E tu, de que forma estás dançando?

 

 

domingo, 28 de agosto de 2011

Entrelinhas

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Algumas pessoas são peritas em distorcer o que as outras falam. Existe uma grande diferença entre o que eu falo, literalmente, e o que as pessoas entendem daquilo que eu falei.
Será que eu que não sei expressar-me bem? Ou será que as pessoas assimilam exatamente aquilo que querem? Ou então, só entendem aquilo que acham que devam entender?  Ou estão tão profundamente mergulhadas em si mesmo que aquilo que ouvem não pode ser senão extensões de si mesmo através da fala do outro?
Caso eu queira dizer que gosto muito de azul, minha fala será “Gosto muito de azul!”. Agora, o que a outra pessoa entende? “Esse rapaz não gosta de vermelho!”. NÃO! Não que eu não goste de vermelho, não tire conclusões precipitadas de mim! O que eu falei, e fui bem claro nesse sentido, é que GOSTO MUITO de azul. Nem sequer usei a palavra vermelho!
Algumas pessoas, realmente, tem esse dom de distorcer o que os outros falam.
Caso tenho que de alguma forma me posicionar sobre determinado assunto (ainda que eu ache que determinados assuntos a gente não tenha que se posicionar, ou simplesmente dar-se o direito de não fazê-lo), a minha posição não exclui a outra! Como no caso do azul, eu gostando de azul não exclui a possiblidade de gostar TAMBÉM do vermelho.
Por isso tento me manter o mais literal possível, e seja qual forma de expressão que estiver usando, vou procurar passar a mensagem claramente daquilo que realmente quero dizer. As entrelinhas servem para serem usadas, mas prefiro abrir mão delas para um melhor entendimento!

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

A vida não é perfeita

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Cansei. Cansei de ser aquele mais ou menos pra mim mesmo. Não consigo aceitar certas coisas. Mudei. Não choro mais ouvindo Ball and Chain da Janis. Cansei de apoiar todas as minhas opiniões em pessoas que não fizeram nada além de pensar em algo pra que outras pessoas possam se apoiar.
Nunca fiz parte do grupo infinito de pessoas que dizem eu te amo um milhão de vezes, enquanto poderia ser dito apenas algumas vezes com muito mais verdade. Não faço parte do grupo infinito de pessoas que baseiam sua felicidade em estar com seu par perfeito. Não me submeto a ser medíocre e hipócrita comigo mesmo dizendo que não preciso de alguém. Preciso sim, sou um ser sociável e não sei viver sozinho.
Algumas vezes penso que seria melhor agarrar a primeira oportunidade e investir nela. Talvez, com bastante investimento e dedicação se transformasse na melhor escolha.
Infelizmente as coisas do coração não são tão fáceis quanto resolver uma equação de báskara. Caso a vida fosse matemática perderia seu brilho.
Hoje está frio e o frio está sendo cínico pois meu coração é gelado por falta de alguém para amar.

domingo, 29 de maio de 2011

Dois de copas

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Hoje incrivelmente conheci duas pessoas no mínimo interessantes, num chat local.
Um, me disse que tinha 28 anos. Faz o estilo romântico, boa cabeça, bom papo, um tano complexo e profundo, falando de sentimentos e relacionamentos como se nos conhecêssemos há muito tempo.
Meu interesse foi tanto que passei um longo tempo pensando nele. “Pessoa diferente” pensei. Ele se classificou como “peça rara”.
No começo da noite liguei pra ele. Tenho que utilizar meus bônus da Vivo mesmo, hehe. Um pouco decepcionante de começo. Falamos em religião e isso não é o assunto mais indicado pra duas pessoas que conversam pela primeira vez! Nem que se tratasse de duas freiras! Não, não!
Ele freqüenta igreja, prefere deixar sua orientação sexual reprimida, e há oito anos não se relaciona com ninguém. Alega que já foi muito maltratado pela vida e agora decide ficar com os pés no chão. A conversa começou a melhorar quando consegui explorar um humor maravilhoso da parte dele. Mentiu a idade.
O outro, tem 33 anos, mesmo. Teve duas vidas. Uma onde foi casado com uma mulher por oito anos. Decidiu assumir-se gay e namorou por um ano um rapaz. Até aí tudo bem, onde fui descobrir que ele agora, está de volta com sua namorada. Esse me chamou atenção especialmente por nossos gostos e jeito de olhar o mundo muito parecido. Eu me surpreendi. Tamanhos gostos afins!

Ainda que não goste de criar expectativas quantos às coisas do coração, o primeiro me despertou um grande interesse, antes de eu saber da sua ligação com a igreja. Quanto ao segundo, por sua vez, aposto numa grande amizade.
Tamanha minha expectativa - antítese ao parágrafo anterior -, que fui consultar meu baralho sobre o primeiro. Estaria o futuro guardando alguma surpresa para nós? Surpresa tive eu quando soltou do baralho a carta seis de ouros. "Aliança", pensei. Abri as cartas. Dor e sofrimento e ilusão, coitadinho dele. E um dois de copas sempre presente e fortalecido. Não vai ser fácil, ainda nem é o conheço. Mas as cartas não costumam ser tão diretas assim. Algo está pra chegar.

Vamos deixar que o caos da vida resolva o que é melhor pra todo mundo. Até onde você está disposto a descer na toca do coelho?




quarta-feira, 25 de maio de 2011

Líber Oz

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Tenha muito cuidado ao utilizar as informações do texto a seguir.

1- O homem tem o direito de viver pela sua própria lei
de viver da maneira que ele quiser;
de trabalhar como ele quiser;
de brincar como ele quiser;
de descansar como ele quiser;
de morrer quando e como ele quiser. 

2- O homem tem o direito de comer o que ele quiser
de beber o que ele quiser;
de se abrigar onde quiser;
de se mover como queira na face da Terra. 

3- O homem tem o direito de pensar o que ele quiser
de falar o que ele quiser;
de escrever o que ele quiser;
de desenhar, pintar, esculpir, gravar, moldar, construir como ele quiser;
de vestir-se como quiser. 

4- O homem tem o direito de amar como ele quiser
"Pegai vosso quinhão e vontade de amor como vós quiserdes, quando, onde e com quem quiserdes." (AL 1.51) 

5- O homem tem o direito de matar aqueles que possam frustrar esses direitos
"Os escravos sevirão." (AL 2.58)
"Amor é a lei, amor sob vontade." (AL 1.57)


terça-feira, 24 de maio de 2011

Curinga

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E aquelas sensações de leveza e flutuar já me abandonaram.
O brilho do escuro quando os olhos cerram já não são mais encontrados facilmente.
Sujeira, gritos e sussurros, imagens distorcidas, cenas sem razão, nada faz sentido na mente do caos. O caos não é controlável. Minha mente não tem paz.
Saudade de quando eu era puro e inocente e nem sequer tinha certeza do que estava acontecendo. Era fácil como correr, incrível como gritar e inofensivo como carinho de mãe.
E o dom se busca? E o dom se perde? E o dom se aprende?
Tentativa e frustração.
“Eles já são carrascos e vítimas do próprio mecanismo que criaram” disse Raul.
Acho que agora estou começando a entender. Ou não.
“Tem gente que passa a vida inteira travando uma inútil luta com os galhos, sem saber que é lá no tronco que está o coringa do baralho”.
Vontade, vontade, vontade! Volte meus 11 anos, onde eu já desconfiava da Verdade Absoluta.

domingo, 22 de maio de 2011

Segunda-feira 2

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Segunda-feira chegando novamente. Mais uma! Visual novo no blog. Ando pensando em fazer uma tatuagem também. No pulso esquerdo. Alguma figura que lembre amor e prosperidade, de uma forma bem diferente. Afinal é isso que todo mundo quer.
Duas taças e uma moeda, ou duas cartas de baralho: ás de ouros e dois de copas. Tenho uma ligação estranha com baralhos.
Comentei que estava pensando em fazer isso com uma colega de trabalho e ela falou que minha mãe iria querer me matar se o fizesse. Acho que ela está certa. O problema é eu querer me matar depois de um tempo. Tenho que analisar.
Andei sumido daqui. E como não tinha nada de novo pra compartilhar resolvi tornar o blog particular por um tempo. Agora está de volta.
E a recomendação musical pra essa segunda é Lights On da Katy B. Obs.: Não é música de bate-cabelo ainda!

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Segunda-feira

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E nada melhor que acordar cedo numa segunda-feira com preguiça animação. Com sensação de tranqüilidade e harmonia. Com sentimento de que a semana será perfeita que os objetivos serão cumpridos e que o trabalho será concretizado! E nada melhor do que pedir benção para que tudo isso se realize!
Benção, Oxalá!

domingo, 1 de maio de 2011

Liberdade!

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E não há nada melhor do que acordar e perceber que a liberdade faz parte da vida! Da minha e da sua, está por todos os lados.
Se eu quero tomar banho de chapéu?
Se eu quero esperar papai noel?
Então vá!
Vou fazer o que quiser porque sou tudo da Lei!
E viva a Sociedade Alternativa!


sábado, 30 de abril de 2011

Fundo do poço

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Por sms, Sr. Sem Fala me compara com outros rapazes. Disse que foi muito diferente entre nós, e desde que ele me curtiu, não curtiu mais ninguém com tanta intensidade.
Confessou que o último cara com quem saiu – casado, a esposa havia viajado – gozou em cinco minutos, e não se importou com ele.
“Fundo do poço” pensei. Fundo, fundo, fundo do poço! E a conclusão que cheguei é de que a gente tem exatamente o que merece. Ninguém nos obriga a sofrer. Ninguém nos obriga a viver num mundo de superficialidade, ou num mundo paralelo de glamour. Vivemos a vida que escolhemos.
Quando eu era mais jovem, achava que minhas frustrações iam todas acabar quando eu me assumisse. Doce ilusão. Elas só mudaram de origem. Minha orientação sexual, hoje, é a menor das minhas neuras.
Baladinha agora. Algo me diz que é melhor não sair de casa. Que todos os meus deuses me guiem!

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Adultério 2

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E ela insistiu pela segunda vez que não tinha nada demais de uma amiga dormir na casa de seu namorado. Afinal a viagem de sua amiga havia sido longa e não teria necessidade de se procurar um hotel. Já havia deixado tudo acertado com seu namorado. Sua amiga iria dormir na casa dele e ponto! Não importava que seu namorado não gostasse muito de sua amiga e muito menos que sua amiga não fazesse questão nenhuma de dormir na casa dele. Tinha o dom do autoritarismo de nascença.
Desligou o telefone com a sensação de trabalho cumprido, pois sabia que agora sua amiga iria estar segura na casa de seu namorado.
Um mês se passa e sua amiga termina com um namoro de dois anos. Dois meses se passam e seu namorado inesperadamente termina o namoro de quatro anos aparentemente sem explicação.
A amiga e seu ex-namorado às vezes são visto juntos por aí trocando uma idéia em algum bar ou passeando de carro pela cidade.
Boas ações valem a pena?

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Adultério

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Traição. Palavra forte que apavora muitas pessoas. Mulheres demonstram esse pavor, homens preferem acreditar que o mal nunca acontecerá.
O que leva uma pessoa a trair, vai depender da situação ou da pessoa em si, do momento da vida, das condições, e da relação atual. Mas a origem da traição é conhecida. Trái quem antes trái na mente. E quem trái na mente e não trái fisicamente? Traição é traição. Todos nós estamos nesse mesmo barco de insegurança pelo relacionamento atual e desejos pelo que podemos ter.
Quem nunca traiu ou foi traído que atire a primeira pedra.
Aviso: acontecerá!

Não encontrei música mais apropriada para o post do que esta:


Baixe a música aqui.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Fluoxetina

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Preciso de muitas coisas assim como todo mundo precisa de muitas coisas pelo mundo. Preciso ser feliz, ser fiel, ser compreensivo, bom profissional, bom irmão, bom filho, bom amante.
Preciso de muito dinheiro e tempo pra fazer tudo que quero. Preciso de ambição, de uma casa na colina e de um jardim florido. Talvez não seja "preciso de" a forma mais correta. Usarei “quero”.
Quero ter muito dinheiro pra ostentar e quero dinheiro fácil!
Quero viajar. Quero que todos sintam meu perfume quando passo, quero ser lembrado em um poema. Quero um filme muito escalafobético que fale sobre mim!
Quero uma casa enorme. Quero poder sustentar sem esforço todos os meus familiares. Quero que os povos se unam sem perder sua individualidade.
Quero cantar com a potência dos pássaros e pintar com a inocência das crianças.
Quero ver crianças correndo na rua com alegria.
Quero todas as noites perfeitas de sono.
Quero que se cumpram os prazos sem stress. Fluoxetina, fluoxetina.

domingo, 10 de abril de 2011

Nomes repetidos

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Interessa mesmo um nome? O que quer dizer um nome?
Damos nomes para tudo. O planeta é Terra, o continente tal, o país tal, estado, cidade, bairro e rua. E ainda temos outros como nomes de edifícios, condomínios, nomes de bichinhos de estimação, pro pingüim de geladeira, das empresas, das marcas, enfim, uma infinidade de nomes.
E se não bastassem os nomes, ainda usamos apelidos, claro, fica tudo mais impessoal usando apelidos...
Por que saber isso?  Porque estou chegando a conclusão que os nomes sempre se repetem. Falta de criatividade dos pais? Talvez. Caso os pais sejam muito criativos vem logo um apelido e tudo fica igual antes.
Se como uma pessoa é chamada pode influenciar na personalidade dela, espero que signifique alguma coisa boa ser chamado de Fernando, Daniel, João William e Lucas.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Escolha

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- Por que você não disse antes?
- Eu não podia. O momento não era apropriado, e eu não era a pessoa certa pra você.
- Como poderia saber se era a pessoa certa? Era o que eu mais queria na época, te conhecer, te namorar, viver momentos de dois eternos apaixonados.
- Pena que o tempo passou, as coisas mudaram e hoje não podemos mais voltar atrás para recuperar o tempo perdido. – disse ela entrando no convento e deixando mais uma vez o homem que sempre amou voltar para sua vida frustrada.



Dowload da música aqui.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Robóticos

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A música que encabeça esse post, All Is Full Of Love, cantada pela islandesa eclética Björk, diz para olharmos ao nosso redor, pois tudo está cheio de amor. “Você tem que confiar, pois pra você será dado o amor”. Não sei até que ponto Björk está sendo realista ou poética, o fato é que há muito tempo não sinto o amor a minha volta.
No que se baseiam os relacionamentos atuais? E não estou me referindo aos amorosos ainda, apenas relacionamentos em geral. Todo e qualquer tipo de relacionamento é baseado em algo. Muitos são relacionamentos profissionais, que não exigem muito além de um pouco de respeito e responsabilidade. Outros são de amizade mútua. E dizem que esse tipo dá pra se contar nos dedos!
Os familiares são complicados. Sempre é uma relação de amor, de ódio, de tolerância e paciência. Alguns te sufocam, outros te exaltam. Alguns merecem respeito e outros não merecem nem mesmo serem lembrados. Mas o  comum é a mistura de tudo isso.
Os amorosos são protagonistas. Das novelas, das revistas, das conversas despreocupadas e dos desabafos no meio da noite. Ninguém vive sem amor. Até a criatura mais fria precisa e sente algum tipo de sentimento.
Eu disse antes que não sentia o amor a minha volta – e não sinto. Eu vejo o amor de um pai para com seus filhos, vejo namorados se beijando, vejo velhinhos andando de mãos dadas, vejo o brilho nos olhos de uma pessoa admirando a outra. Mas não consigo sentir. Existe uma barreira. Talvez Björk também veja o amor a sua volta, mas não consiga sentir. Talvez na tentativa de sentir, ela tenha feito um clipe tão bonito dessa música, se transformando em robô – um robô que ama.
O exercício de imaginar seres humanos como robôs não é tão absurdo assim. A rotina é fatigante, os problemas são tantos, o mundo capitalista é tão cruel e parece que nos obriga a querer sempre mais. Querer mais dinheiro, mais riqueza, mais status, mais glamour. Querer sempre alguma coisa material. Criar um foco, e conseguir conquistá-lo.
O problema de tanta ambição é que geralmente falhamos. Criamos um objetivo e não conseguimos alcançá-lo. E, quando alcançamos esse objetivo, ainda estamos vazios, e outro objetivo tem-se que ser criado para então sermos felizes. Doce ilusão. Cria-se um robô de si mesmo. Um robô ambicioso. E esse robô entra em um círculo vicioso de busca de felicidade. Felicidade essa que nunca chega, criando frustração e tédio.
Não existe nenhum problema em querer mais. Querer mais é saudável e nos força a autosuperação. O que realmente cria a frustração é querer as coisas erradas, de tal forma que nunca poderemos parar para aproveitar aquilo que já conseguimos.
E o círculo vicioso não é necessariamente material. Posso estar buscando um amor e sempre encontrar amores errados. E então outro amor “tem que” vir no lugar do antigo em substituição daquele. Posso estar viciado em um relacionamento afundado, e não ter coragem para dar espaço que ele se vá, e ainda assim acreditar que esse amor tem algum valor.
Se sabemos que somos robôs que sentimos, ou seres humanos que estamos um pouco congelados, já é meio caminho andado para mudarmos essa situação, fazendo com que o gelo do coração se derreta com afeto. E que a forma robotizada vá se transformando em uma forma mais arredondada, digna dos seres humanos. O poder de mudar está dentro de cada um, em permitir-se sentir. Já estou me permitindo sentir, e você?

domingo, 20 de março de 2011

Sr. Sem Fala

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Onde estou? Perguntava-me incessantemente. Eu sabia exatamente onde estava, com quem estava, mas era uma pergunta mais ampla do que saber minha localização no mapa. O que eu estava fazendo ali? Talvez fosse a falta de álcool que estava fazendo com que eu visse aquilo de uma outra forma, com mais clareza talvez.
E não tinha nada para se fazer lá. Apenas esperar o tempo passar, e fingir que a festa estava ótima. Não estava nem um pouco boa, eu estava lá como se fosse uma ironia do destino. Já tinha prometido pra mim mesmo que daria um bom tempo desses lugares, e lá estava eu, com o sorriso mais falso do mundo tentando dançar músicas horríveis.
Além disso, era uma exposição de bizarrices. Beeshas ridículas usando roupas escandalosas, caras totalmente sem noção mostrando um corpo mais ou menos, infantilidade, drogas, e os mesmos rostos de sempre. De tudo isso já estava enjoado.
E então, ele chegou. O Sem Fala. E de todos os que estavam ali, nenhum chegava aos pés dele. Vestido discretamente de preto e calça jeans, passou por mim com outro amigo, como se fosse o rei da festa. E eu adoro ostentação de quem pode. Ele teve o poder de fazer meu corpo amolecer, meu coração bater em descompasso e me deixar muito, muito triste. Pois aparentemente estava acompanhado, e teria que agüentar mais algum tempo com aquela frustração.
Nunca forcei a barra com o Sem Fala. Quando nós ficamos, foi maravilhoso, espontâneo e louco ao mesmo tempo, ainda que no começo achasse ele meio pegajoso – no começo. Eu detesto gente pegajosa, gente que não te deixa respirar, gente que corre atrás. Eu simplesmente abuso de quem é assim, e largo quando não me convém. Mas com o Sem Fala foi diferente. Curtimos um ao outro, e sumimos. Falávamos por sms de vez em quando, mas nada concreto, apenas algo que talvez dessem certo – ou não.
Ele lá em Capão, e eu aqui em Tramandaí. Ele nunca mudou uma vírgula da vida dele por minha causa. Procurava-me quando era o momento, e eu também. Dizia palavras bonitas, e eu não acreditava. Porque não é muito fácil acreditar em palavras bonitas hoje em dia.
E lá estava ele, na festa, longe de mim, se divertindo muito. Eu estava tão triste, que não consegui simular outro sentimento. Geralmente consigo disfarçar o sentimento que quero. Posso estar feliz e parecer triste, estar triste e ser a pessoa mais contente do mundo, posso detestar alguém e me passar por melhor amigo, mas mesmo esse dom com que a natureza me presenteou não estava funcionando naquela situação. Não consegui colocar meu melhor sorriso para fingir que estava contente.
Peguei meu celular, eu precisava desabafar aquilo com alguém. Gritei por Lee Stardãr, e redigi a mensagem: “e o Sem Fala é o cara mais interessante da festa. Sabe aquela coisa boa de sentir o corpo amolecer? Pois é. Senti isso quando o vi hoje. Isso acontece porque eu nunca consegui controlá-lo. Insensato coração!”.
E como eu não podia deixar de provocar/demonstrar para ele o quanto ele mexe comigo, mandei uma cópia da mensagem pra ele também. Ou seja, os dados estavam sendo lançados. Podia fingir que tinha mandado pro contato errado. Mas eu nunca faço nada que não tenha algum motivo. Sou oportunista e no jogo da sedução às vezes tem-se que ceder. Os dados foram lançados. Era uma questão de tempo, pensei.
E por algum tempo tudo continuava igual, música ruim, gente ridícula na minha volta, e eu naquele galpão parecendo uma estátua.
Foi quando ele passou propositalmente por mim. Parou e cobrou-me por não ter cumprimentado ele – sempre usava essa tática. Eu expliquei que era porque a gente nem tinha chegado perto ainda, e que ele estava muito ocupado se divertindo. Perguntei o mesmo pra ele, e a resposta foi igual a minha. Sim. Falando no ouvido me despertou uma vontade enorme de empurrar ele para a parede e começar a beijar. Trocamos algumas palavras. Ele mexeu no celular, fingiu que alguém ligando, pra me dar certeza de que tinha lido a mensagem. Eu desconversei e dei a desculpa de que iria ao banheiro – corri dali. Não estava preparado para tanta informação assim.
Fiquei por ali dançando com alguns amigos e quando vi já estava sozinho novamente. Gente inquieta! E ele chega por trás, perguntando se eu já tinha encontrado alguma coisa ali. O que? Perguntei. E ele me questionava o que eu estava fazendo ali. Eu estava ali por um acaso, um milagre talvez. E não tinha encontrado nada, a não ser um cara que vê o mundo de uma forma muito parecida da minha, e que assim como eu não se apega a qualquer um. O beijo aconteceu, por uns minutos. Ele disse “bom, vou indo”. Eu segurei o braço dele, levei-o prum canto qualquer da parede e fiz o que eu queria ter feito desde o primeiro momento. Beijei muita aquela boca que já foi de muitos, alisei muito aquele corpo que um dia já experimentei, e abraçando-o carinhosamente desejei com todas as minhas forças que um dia ele encontre alguém que lhe faça feliz, já que não foi dessa forma que aconteceu conosco.
"Nós vamos nos encontrar de novo" ele disse, depois do último beijo. "Volta lá e arrasa" eu disse. Fui embora, não podia perder minha carona. Feliz e triste ao mesmo tempo, mas muito, muito aliviado, pois sei que o Sem Fala vai embora fazer o mundo girar, e de pessoas assim que o mundo precisa. Parabéns, você conquistou um lugar de destaque, Sr. Sem Fala!

quinta-feira, 17 de março de 2011

Meu cachorro preferido

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A língua do povo conta que na Avenida da Igreja, famosa avenida da cidade, existe uma pessoa que vive dos restos de alimento dos outros, um ser desgraçado pela vida, esquecido pela natureza e perdido de si mesmo.

Charles acordou cedo, mesmo sem entender. Não era compreensível que depois de muitas doses de uísque, coquetéis refinados, muita música, comida da melhor qualidade e outros excessos que seu organismo já estaria descansado. Isso não era comum.
Aproveitou a disposição, desligou o ar condicionado que havia deixado o quarto muito abafado, aumentou o volume do seu rádio. Correu para a cozinha cantarolando a música que estava tocando. Colocou o café pra passar. Olhou na porta da geladeira o calendário grudado – ainda faltavam alguns dias para a empregada retornar das férias, e isso significava que ele teria que fazer uma coisa que detestava: limpar a geladeira!
Cantarolando e tomando café, foi adiantando seu penoso serviço. Tirou duas sacolas cheias de comida. Não estavam velhas nem estragadas. Apenas eram de dias antes, algo que poderia ser reaproveitado, mas Charles não era do tipo que comia nada repetido.

Frederico já estava começando a sentir suas mãos. A noite havia sido muito fria e chuvosa. O fino pano que usava para se cobrir estava encharcado por causa do vento que levava respingos de chuva.
Sentado entre galhos, Frederico pode reconhecer o barulho. O ruído lhe era muito familiar – o carro importado que semanalmente lhe levava gostosuras. Mal podia esperar a sacola ser lançada pelo motorista do carro, e caso tivesse sorte, aquela pessoa abençoada jogaria mais que uma sacola, o que dava a ele vários dias de comida garantidos.

Logo que desceu do carro, Charles foi surpreendido por um forte abraço de seu filho mais novo, que lhe disse:
- Pai, onde tu estavas? Pensei que não fosse me levar pra escola, já ia te ligar...
- Bom dia filhão. – disse Charles - Não te preocupa, só fui alimentar meu cachorro preferido.

domingo, 13 de março de 2011

A roleta

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E a roleta do prazer foi impulsionada por ele. Não, ele não tinha esse hábito de freqüentar motéis. Muito menos com mais dois homens e duas mulheres. Aquilo tudo tinha sido tramado pelos outros, e ele caiu na grande armadilha. Armadilha da loucura da juventude, da inconseqüência do álcool.
E a roleta rosa o mandava tirar a calcinha dela. Ele não tinha experiência nenhuma com isso. Ele sente atração por homens, e aquilo estava sendo uma afronta, uma pegadinha. Como poderia rejeitar; como poderia fugir daquela situação? Os outros não sabiam e não podiam saber da sua atração por homens, de toda sua história traumática da infância, de como era difícil viver escondendo uma coisa tão forte e tão importante como essas.
Mas a roleta mandava na noite. E ele sentiu aliviado por ter que tirar a calcinha dela. Sexo oral seria pior, ele agradeceu aos deuses. Enquanto já via flashs e ouvia ruídos dos três ao lado, fingiu que tinha algo pra pegar no banheiro – tentando incessantemente ficar excitado. Seria vergonhoso ter que mostrar sua virilidade e não conseguir.
Voltando do banheiro, viu ela toda nua, esperando por ser penetrada. Sinceramente, em nenhum momento da sua vida desejara aquilo. A cena que conseguiu entusiasmar seu membro foi ver os outros dois homens revezando a penetração na outra mulher. Sentiu inveja daquela, e, criando toda uma fantasia em sua mente, fechou os olhos, tomou coragem e colocou delicadamente seu membro dentro da cavidade quente dela. Foi uma questão de minutos. As cenas em sua mente estavam muito picantes. E a noite não pedia dar prazer para a mulher, e sim, fazer de conta que estava gostando daquilo.
Não satisfeita, aquela mulher, dona da roleta, montou em outro homem que estava disponível, e depois, mandou o outro homem comer ela de quatro. Não podia deixar de experimentar todos os corpos.
Ele não sabia se tinha feito certo, ou errado, simplesmente fez o que deveria ser feito. É um trabalho sujo, mas alguém teve que fazê-lo.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Striperella

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Relendo emails antigos. Pude dar vida a lembranças esquecidas, trouxe a tona sentimentos que há tempos não sentia. Indignação com uma instituição privada, verdadeira guerra virtual. Ansiedade por ter pagado um boleto e meu pedido não ter sido liberado, e certo sentimento de desprezo por aqueles emails-correntes, com mensagens em power point. Mas o melhor de tudo foi relembrar que um dia, muito esporadicamente, eu e minha amiga Striperella trocávamos mensagens. Às vezes eu puxava papo, às vezes ela. Sempre falávamos sobre algo profundo, importante. Profano e espiritual ao mesmo tempo. Hoje olho pra trás e vejo que o algo profundo e importante de antes parece ridículo hoje, kkk. Mesmo parecendo ridículo hoje, ainda quero continuar mantendo esse tipo de contato, pra algum dia, eu olhar pra trás e sentir vergonha do que conversávamos hoje. É um bom exercício.
Striperella, uma figuraça. Algum dia vai ganhar uma homenagem tendo sua forma excêntrica e desforme pintada em uma carta de baralho. Ou melhor, um baralho todo confeccionado com suas idéias que impressionam o mundo. Sabe viver a vida intelectualmente, esse é seu grande forte. Tem o pensamento rápido e a imaginação forte, e uma dinâmica intrapessoal que talvez nunca tenha visto em alguém antes. Às vezes acho que ela vive em outro mundo. Em um mundo que praticamente é do jeito que ela quer que seja. Striperella não se convence de que sua ilusão é uma ilusão. Striperella faz com que essa ilusão seja transformada em realidade, em uma realidade tão real que pode parecer estranha para os que são fracos da cabeça. E eu sempre me esquivando de algum convite social que ela me faz.
Não me esquivo de convites dela por que não gosto dela, muito pelo contrário. Acho que não me sinto seguro de entrar no seu mundo, e não ter mais vontade de sair. Beijo carinhoso, Striperella.