domingo, 27 de novembro de 2011

Sobre Ritas!

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Rita me pareceu uma incógnita. Estranhamente incógnitas não são comuns pra mim. Costumo dizer que “sinto” as pessoas. Tenho facilidade pra sentir o que as pessoas querem; em perceber o jeito como encaram determinadas coisas e até se são “flor que se cheira”, como dizem os antigos.
Trato tudo que é natural, naturalmente. Isso é natural pra mim. Não consigo evitar essa sensação de saber das pessoas sem ao menos ter conversado. Acontece mais ou menos assim: bato o olho e já crio o perfil. Esse é desonesto, deve roubar da própria mãe. Esse tem grande capacidade, só precisa de força de vontade; essa não vai ser muito feliz no amor, mas o sucesso profissional é uma certeza; aquela outra não sabe o valor das coisas que tem. E por aí vai, uma variedade de perfis são criados quase que instantaneamente. E, sempre que precisei seguir minha intuição, nunca me decepcionei.
Mas a Rita tinha uma muralha invisível em volta dela que não permitia que eu a desvendasse. E, ainda mais curioso, parecia conhecer essas minha intuições! Olhou-me nos olhos como se quisesse dizer “eu sei do que tu és capaz, mas não comigo”. 
O nome Rita me lembrou do filme Nove Rainhas. No filme, um personagem principal tentava lembrar exaustivamente a letra de uma música de Rita Pavone, Il ballo del mattone. 
Parafraseando a letra da música, “com algumas pessoas danço twist; com outras danço rock; e com outras definitivamente não acerto o pé!” Que tipo de música dançaria com Rita se não consigo desvendá-la?
Não dançaria nenhuma. A minha habilidade de intuir sobre pessoas e a habilidade dela em saber quem intui sobre ela deve ser a mesma habilidade usada de forma diferente. Não dançaria nenhuma música! Pois devemos ser muito parecidos para podermos diferenciar quem é um e quem o outro. E as danças mais bonitas são aquelas que são dançadas por duas pessoas, de formas diferentes de tal forma que se percebam as individualidades e que se possa comtemplar a harmonia e a (des) sincronia delas. Estou chegando à conclusão que o modo que as pessoas dançam é muito mais importante do que as pessoas em si. E tu, de que forma estás dançando?

 

 

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