quarta-feira, 9 de março de 2011

Adiós carnaval!

Clique aqui para ouvir esse post.


E o fechamento do carnaval não foi bom. Não fui pra lugar nenhum, resolvi ficar em casa descansando. Estranho, a partir das 23 horas comecei a sentir um aperto no peito, algo que eu não me lembro de ter sentido antes. Era quase como se eu tivesse no saguão de um hospital esperando a má notícia. Mais estranho ainda era a necessidade de conversar com alguém.
E, de todas os contatos que eu tinha no meu celular/msn, era justamente com o amigo que havia me trazido pra casa que eu “tinha que” falar. E então liguei. Desligado. E liguei mais umas duas vezes e nada. Ele trabalhava até meia noite, então havia desligado o telefone.
Passa-se uma hora, e ele me liga. Melhor, pensei.
Conversamos uns vinte minutos, ele estava indo pegar o ônibus, nos despedimos. Dois segundos depois ele liga de novo. E é aí que meu pavor começa:
- Hey, a gente não quer te fazer mal (voz masculina que não era do meu amigo).
- A gente saiu do presídio faz quatro dias, só queremos dinheiro. (outra voz masculina)
- Ta bom, vou ver aqui, calma. (voz do meu amigo)
- Meu, meu, não faz assim com ele, deixa que ele pega meu, não te mete.
(Silêncio)
Ouço passos, mas não escuto voz nenhuma. É claro, meu amigo me ligou de volta por precaução, já prevendo o que ia acontecer.
E eu começo a ficar com medo, porque não ouço a voz dele. O que aconteceu? Ele ta bem? Passam várias cenas pela minha cabeça, eu não tinha idéia do que fazer. Não podia ir até onde ele estava, era longe e eu não tenho nem carro nem moto. Imediatamente vou pro quarto da minha mãe:
-Mãe, o Costa foi assaltado!
Explico rapidamente pra ela, e a gente entra num consenso de ligar para o meu pai, que não mora com a gente, ir lá ver se tudo estava bem. Antes mesmo que eu comece a procurar o número do meu pai, o Costa me liga.
- Tu ta bem? Onde tu ta? – falei.
- Tá tudo bem, to indo pro final da linha do ônibus pra ir pra casa, só pegaram vinte reais.
- Ta tudo bem mesmo? Quer que alguém vá aí te pegar? Quer dormir aqui?
Aí minha mãe pega o telefone e confirma tudo isso de novo, e pede que ele ligue quando pegar o ônibus e quando chegar em casa.
Quando ele já tinha chego em casa, ele liga e me pergunta:
-Como tu ouviu? A gente já tinha desligado.
-Não, tu me ligou de novo! Desligamos mas logo depois me retornou.
-Não, eu só botei o celular no bolso, e eles chegaram logo depois.
Aperto no peito e celulares que ligam sozinho em horas de emergência. Obrigado por existir, Deus.

0 comentários:

Postar um comentário